segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Revista informativa do CFBM - O Biomédico



O Biomédico, a revista do CFBM


O Conselho Federal de Biomedicina lançou esse mês a primeira edição da revista eletrônica O Biomédico. Confira e fique de olho no que nossos representantes estão fazendo pela Biomedicina e Biomédicos! Leitura obrigatória!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

✩✩✩

Conseguimos!!!
Depois de muito esforço e empenho o nosso curso de Biomedicina é 3 estrelas no Guia do Estudante da Editora Abril!!!
Parabéns a todos os professores, alunos e amigos que colaboram e colaboraram nestes 9 anos de curso!!!




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Controle Interno da Qualidade de Laboratórios Clínicos

7 atitudes para saber como lidar com as  não conformidades nos Laboratórios Clínicos

 (parte 1)
O profissional de laboratório clínico, durante o processo de realização do Controle Interno da Qualidade, enfrenta diversos desafios, principalmente relacionados aos alertas do sistema, que indicam uma situação de não conformidade. Saber como lidar com a perda do controle e quais atitudes devem ser tomadas é essencial para garantir os resultados dos exames. Assim, abordaremos abaixo como desenvolver uma estratégia para lidar com a perda do controle e, posteriormente, as setes atitudes que devem ser tomadas.
As sete atitudes são:
- Atitude 1: Inspecionar detalhadamente o gráfico de controle
- Atitude 2: Analisar as possíveis causas de erros
- Atitude 3: Realizar intervenções no sistema, visando corrigir o problema
- Atitude 4: Anotar as medidas adotadas para correção
- Atitude 5: Realizar nova corrida anaítica, para controle e amostras de pacientes
- Atitude 6: Testar os novos dados
- Atitude 7: Interpretar o resultado da última  avaliação e decidir o encaminhamento


Introdução - Perda do Controle e como desenvolver uma estratégia 
Em uma situação de não conformidade do controle, o laboratório deve estabelecer estratégias para lidar com essas situações. Para tanto, deve determinar a causa raiz para o dado OUTLIER e como adotar a possível correção. OUTLIER ou valor atípico é uma observação que apresenta um grande afastamento das outras da série (que está “fora” dela), ou que é inconsistente.
O método de controle interno da qualidade adotado deverá ser capaz de encontrar problemas com o mínimo de falsas rejeições. Em outras palavras, deve ser capaz de alertar, quando houver problemas e não incomodar se o sistema estiver estável.
Durante a situação de perda de controle, muitos profissionais fazem toda a sorte de repetições, seja de controle, nova alíquota do material, enfim, uma ação que se apresenta como objetiva e que está ao próprio alcance de imediato. Deve-se ter cautela nessa hora, pois tomar essas ações pode caracterizar uma atitude aleatória, desprovida de fundamentação e de base racional e por isso menos resolutiva.
Ter uma estratégia constitui um enfoque muito importante na busca da causa raiz e assim mais chances de adotar medida corretiva eficaz. Atitudes, como simplesmente repetir a corrida do controle sem analisar a situação, não são uma boa prática para um laboratório que planeja e cuida de estratégias da qualidade. Embora, possa acontecer do resultado outlier ser causado por degradação do próprio analito no frasco de material de controle que está em uso no momento, ou mesmo, uma contaminação desse frasco. O zelo com o frasco do material e sua conservação adequada são essenciais. Nesse caso a abertura de um novo frasco pode ser a medida corretiva eficaz e que deve ser documentada em comentários sobre a corrida. Vale destacar que essa é também uma atitude racional e se insere nas ações a serem consideradas numa estratégia de enfrentamento da situação de resultado OUTLIER.
Se o controle da qualidade for bem planejado e o Gestor da Qualidade ampliar seu conhecimento teste por teste, sua visão dos sistemas analíticos será de tal forma consistente que possibilitará clareza e maior acerto na busca de soluções.
Resolver problemas de controle exige conhecimento e atitudes. Cabe ao gestor da qualidade do laboratório, um profissional de nível superior, descobrir as causas e solucionar os problemas.

Atitude 1 - Inspecionar detalhadamente o gráfico de Controle 
A interpretação visual do gráfico de controle pode ser muito elucidativa. Podemos inferir se há uma tendência, o que indica o tipo de erro sistemático ou se a distribuição dos pontos sugere o caráter aleatório. As regras violadas também fornecem importantes indicadores do tipo de erro.
Regras que avaliam observações consecutivas dos controles, como 2:2s, 4:1s, 7x, 10x e 7T usualmente indicam erro sistemático. Regras que testam alargamento da distribuição gaussiana das medidas do controle, como 1:3s, R:4s geralmente indicam erros aleatórios.
O gráfico de controle é uma representação visual da variabilidade dos resultados obtidos das análises do material. A figura 1 mostra a conjugação de imagens, da curva de Gauss (posicionada em rotação no sentido antihorário) com o gráfico de controle. Baseando-nos nesse princípio, podemos interpretar o gráfico ao lado.
Curva 1 – verde – mostra uma distribuição gaussiana dos resultados, de forma aceitável e a média adequada. O coeficiente de variação estaria em valores a menos que a imprecisão máxima permitida para o teste.
Curva 2 – vermelha – uma variabilidade muito boa (pequena), mostrando distribuição dos valores mais próximos da média. O CV deve estar confortavelmente abaixo da imprecisão máxima permitida.
Curva 3 – azul – a distribuição gaussiana mostra-se alargada, indicando resultados muito dispersos, mesmo mantendo-se eqüidistantes do valor da média. Indica erros aleatórios.
O gráfico de controle é ferramenta imprescindível no controle interno quantitativo e o profissional deve se familiarizar com ele. Aporta muitas informações e tem grande efeito pedagógico, permitindo compartilhar informações dos eventos do controle com todos os colaboradores. É uma boa prática de controle sempre inspecionar o gráfico de Levey-Jennings. A prática de apenas comparar o resultada do corrida com numa faixa preconizada pelo fabricante do material de controle é um critério frágil e de baixo índice de detecção de problemas. Por exemplo, um desvio da média ocasionado por perda de calibração (curva 4, acima) pode não ser detectado por muitos dias, simplesmente comparando o resultado com uma faixa. A análise do gráfico de controle, ou o teste das regras (p. ex.: regra 4:1s) revela o problema que você pode resolver. Isso é o que se espera de um sistema de controle.
POR DR. SILVIO BASQUES
No próximo conteúdo será apresentado as atitudes 2, 3 e 4. Além da análise das possíveis causas de erros. Leia também:


terça-feira, 26 de junho de 2012

Ciclo de palestras.



"Há conhecimento de dois tipos: sabemos sobre um assunto ou sabemos onde podemos buscar informação sobre ele". Samuel Johnson

O curso de Biomedicina vem buscando integrar cada vez mais os acadêmicos com o dia-dia que os espera depois da conclusão do curso. Por este motivo iniciamos no dia 22 de junho de 2012 um ciclo de palestras. O objetivo é muito claro, trazer exemplos que tem obtido sucesso em seus estudos, seja no mestrado ou no doutorado. Na primeira sexta-feira recebemos um egresso da Ulbra, formado em 2008 Rud Varela é o exemplo que o bom filho a casa retorna. Rud nos apresentou seu trabalho do mestrado envolvendo recuperação de processos isquêmicos através de células tronco. Acadêmicos da disciplina de Biotecnologia e Farmacologia foram os privilegiados com a palestra que envolveu muita troca de informações e questionamentos. Seguindo o cronograma no dia 29 de junho seguimos nossa busca pelo conhecimento, agora contando com a presença do pesquisador Hudson de Carvalho doutor em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo, o mesmo trabalha com com análises epidemiológicas de comportamento humano, neuroquímica e psicofármacos. Com vasto conhecimento na área sua palestra vem intitulada como "Revisitando o uso de psicofármacos".  Pretendemos um contato maior entre ouvintes e palestrante, onde um teste irá ser aplicado aos alunos para ser analisado posteriormente. A palestra do dia 29 promete ser interdisciplinar uma vez que irá abranger instruções sobre fisiologia humana e ações das novas aplicações de psicofármacos, além é claro de trazer biomedicina aliada a psicologia. Contamos com a presença e atenção de todos. Desde já agradecemos.

quarta-feira, 13 de junho de 2012


O curso de Biomedicina da ULBRA Cachoeira do Sul, traz aos seus discentes a proposta de assistir a aula online sobre farmacologia dos agentes antibióticos e quimioterápicos antibacterianos, ministrada pelo  Dr. Caio Roberto Salvino, uma proposta de Imersão Consultoria e Treinamentos em Análises Clínicas. 
Alunos não percam esta oportunidade de enriquecer seus conhecimentos.

terça-feira, 12 de junho de 2012


O aluno Eduardo Schneider Schefell, o querido Dudu teve todo o seu esforço e dedicação recompensados sendo aceito para participar em um Intercâmbio de estudos em Portugal. Selecionado pelo Ciência sem Fronteiras, programa do Governo Federal que tem por objetivo buscar promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. Além de ser uma grande oportunidade de conhecer uma nova cultura e ganhar ensinamentos e lições para uma vida toda. Eduardo cursará dois semestres na Universidade em Portugal. A expectativa é que Eduardo embarque no próximo semestre nessa nova etapa. Fica aqui registrado nosso orgulho e felicidade pela conquista de um aluno e colega nosso.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

II Simpósio de Análises Clínicas

NOSSO SIMPÓSIO JÁ TEM DATA DEFINIDA!
Nossa equipe está trabalhando bastante para fazer deste evento um dos melhores!
Acompanhe por aqui todas as atualizações e novidades!


terça-feira, 17 de abril de 2012

Moletons Inverno Biomedicina


E aí pessoal, temos quatro opções para o nosso novo modelo de moletom. Agora é só escolher, depois de decidido mandem seus pedidos para o email da coordenação (biomedicinacds@ulbra.br),  modelos de tamanhos também são encontrados na coordenação do curso... Um mais lindo que o outro.







quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Pela primeira vez injetam sangue cultivado em laboratório em um humano

    Infelizmente, por um motivo ou outro, muitas pessoas têm dificuldade em doar sangue, e nem sempre a pessoa que precisa de doadores de sangue consegue um doador compatível. Mas essa situação tão comum hoje em dia, pode virar coisa do passado. Luc Douay (da Universidade Pierre e Marie Curie, em París) extraiu células-tronco hematopoiéticas da medula óssea de um voluntário e elas se transformaram em glóbulos vermelhas do sangue através de uma série de fatores de crescimento.
   A equipe liderada por Douay etiquetou os glóbulos cultivados para seguir seu rastro e injetou 10,000 milhões (equivalente a 2 ml de sangue) de volta para a corrente do doador de medula. Os resultados foram publicados na revista médico Blood.

 
   Depois de cinco dias, entre 94% e 100% dos glóbulos continuaram a circular no corpo do voluntário e em 26 dias manteve-se entre 41% e 63% das células (que é uma taxa normal para os glóbulos de sangue produzidos naturalmente). As células de laboratório responderam como as normais, levando oxigênio de maneira efetiva para todo o corpo. Uma grande notícia para a medicina e a saúde.
   Já existem outras iniciativas para sintetizar sangue através da criação de um substituto artificial (em lugar de criar sangre natural de maneira artificial), que seriam muito úteis para guerras ou terremotos, porque tem a vantagem de não necessitar refrigeração. Porém, esta conta com a vantagem de que se parece muito mais com a real, dissipando as preocupações de segurança gerados pelos produtos artificiais.


   O trabalho Douay representa um grande salto, mas ainda há um longo caminho antes de podermos contar com uma produção em massa deste sangue. Por exemplo, para transfusão de um paciente, seria necessário 200 vezes a quantidade de células utilizadas neste trabalho. No entanto, Robert Lanza, um dos primeiros a cultivar glóbulos vermelhos em laboratório em larga escala, argumenta que o uso de células-tronco embrionárias poderia gerar dez vezes a quantidade alcançada por Douay.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Camiseta para o Simpósio de Análises Clínicas e Encontro de Biomedicina

Pessoal! A camisa do I Simpósio Regional de Análises Clínicas e III Encontro de Biomedicina está aqui!
Façam seus pedidos pelo e-mail: josiane307@hotmail.com
Valor: R$20,00

Obs: Não percam tempo para fazerem seus pedidos, pois serão poucos dias para encomendas!

sábado, 8 de outubro de 2011

Fique ligado!

PROGRAMAÇÃO DEFINITIVA













DIVULGAÇÃO DA PALESTRA DE ABERTURA:
Dia 16/11/2011, 19 horas - ULBRA campus Cachoeira do Sul

Palestrante: Dr. Flavo Beno Fernandes
Empresa: Zanol Laboratório de Hematologia

Título da palestra: Eritroblastos circulantes e seu impacto clínico



As inscrições serão realizadas na Central de Atendimento do Campus!
Valor do investimento: Apenas R$30,00
Grupos ou universitários de fora da instituição podem entrar em contato pelo e-mail: biomedicinacds@ulbra.br para facilitar a inscrição.





Nos próximos dias estará disponível a programação completa do I Simpósio Regional de Análises Clínicas e III Encontro de Biomedicina.
Aguardem!


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Curso teórico-prático de Microbiologia


Olá a todos que acompanham o blog e que curtem a Biomedicina...
Esse post é para divulgar mais um curso de extensão em nossa universidade!




22/10    

Manhã: Micologia Clínica (Teórico)

                - Principais fungos de importância clínica

                - Técnicas de coleta

                - Técnicas de cultura e identificação

                Parasitologia Clínica (Teórico)

                - Principais parasitas gastrintestinais

                - Orientações de coleta do EPF (1 e 3 amostras)

                - Métodos de preparo do EPF



Tarde: Micologia Clínica (prática)

                - Coleta

                - Cultura de fungos

                - Microscopia

Parasitologia Clínica (prático)

                - Métodos de preparo do EPF

                - Microscopia (pools).



29/10

Manhã: Microbiologia Clínica (teórico)

                - Principais bactérias de importância clínica

                - Meios de cultura

                - Testes de Identificação

                - Antibiograma



Tarde:    Microbiologia Clínica (prática)

                - Semeadura primária

                - Coloração de Gram

                - Testes de Identificação
                - Microscopia (Gram)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Lipídeos que fazem o cérebro inchar

Fonte: Ciência Hoje

Pesquisadores identificam mecanismos por trás da hidrocefalia fetal, doença que afeta gravemente a qualidade de vida de quem a desenvolve. Stevens Rehen, que já integrou a equipe por trás do feito, comenta o estudo em sua coluna de setembro e comemora os avanços na área.

Lipídeos que fazem o cérebro inchar

Cérebro com hidrocefalia – acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano – em tomografia computadorizada. Ainda não existe tratamento eficaz para a doença, que prejudica as funções cognitivas, motoras e sensoriais. (imagem: Lucien Monfils/ CC BY-SA 3.0)


A hidrocefalia fetal é uma doença congênita que acomete 1 em cada 1.500 recém-nascidos. A palavra tem origem grega (‘hidro’ significa água e ‘céfalo’, cabeça) e define um acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano no córtex cerebral.

Esse crescimento de volume promove o aumento da pressão intracraniana, inchaço do crânio, lesões no sistema nervoso e causa um grave prejuízo às funções cognitivas, motoras e sensoriais.

Não existe tratamento eficaz, e procedimentos paliativos incluem a drenagem do líquido cefalorraquidiano ou intervenções farmacológicas.

Quanto à origem da hidrocefalia fetal, há evidências de contribuição genética para algumas de suas formas raras, entretanto, a grande maioria dos casos é esporádica e de etiologia desconhecida. Diversos relatos científicos associam a doença a episódios de sangramento pré-natal.

Tomografia computadorizada com hidrocefalia
Tomografia computadorizada de um paciente mostrando uma hemorragia intracerebral com hidrocefalia associada e sangue no terceiro e em ambos os ventrículos laterais. (imagem: Yadav, Y. R. et al)

Diante das incertezas, pesquisadores continuam buscando as causas para o desenvolvimento da enfermidade. Um artigo científico publicado em edição deste mês da revista Science Translational Medicine testou a seguinte hipótese: será que derivados de sangue resultante de uma hemorragia intracraniana poderiam causar a hidrocefalia fetal?


Agulha no palheiro

Em linhas gerais, podemos assumir que o sangue nada mais é do que uma mistura de hemácias, plasma e soro.

A primeira coisa que o grupo de Jerold Chun, do Instituto de Pesquisa Scripps da Califórnia (Estados Unidos), fez foi injetar cada um desses componentes – hemácias, plasma e soro – separadamente no interior dos ventrículos cerebrais de camundongos em desenvolvimento, ainda no útero materno. Os animais foram analisados antes e após o nascimento para evidências de hidrocefalia fetal.

Mas o que exatamente, dentre tantas substâncias presentes no soro e plasma, poderia ocasionar a hidrocefalia fetal?

A injeção de soro ou plasma induziu a geração da doença em metade dos animais. Esses camundongos passaram a apresentar cabeças aumentadas, ventrículos dilatados e córtex cerebral de menor espessura. Por outro lado, a injeção da solução de hemácias nada causou.

Mas o que exatamente, dentre tantas substâncias presentes no soro e plasma, poderia ocasionar a hidrocefalia fetal?

Sangue
Pesquisadores injetaram cada componente do sangue separadamente no cérebro de camundongos em desenvolvimento e observaram que a injeção de soro ou plasma induziu a hidrocefalia fetal. O segundo passo foi procurar, nesses componentes, a substância responsável pela indução da doença. (foto: Sergey Panteleev/ Sxc.hu)

O ácido lisofosfatídico (LPA) é um forte candidato. Esse lipídeo, presente em abundância no sangue e também no cérebro em desenvolvimento, está envolvido em uma dezena de eventos metabólicos por meio da ativação de receptores celulares específicos.

Cabe mencionar que a concentração desse lipídeo no sangue é pelo menos cinco mil vezes superior à concentração média necessária para ativar os receptores presentes nas células-tronco neurais que irão formar o sistema nervoso. Ou seja, um sangramento expõe células-tronco neurais a quantidades de LPA capazes de interferir drasticamente na formação do cérebro.


Réu convicto

De fato, sabe-se desde 2003 que a exposição do cérebro em desenvolvimento a concentrações não fisiológicas de LPA afeta diretamente os progenitores neurais. Quando isso ocorre, o número de neurônios aumenta, fazendo com que cérebros de camundongos se assemelhem a cérebros humanos, com seus giros e sulcos.

Aqui, uma curiosidade. Nessa época, eu trabalhava no Instituto Scripps e assinei juntamente com Jerold Chun e colegas artigo científico mostrando esses resultados, publicado na revista Nature Neuroscience.

Jerold Chun e equipe tinham, portanto, um excelente candidato em mãos: um lipídeo abundante no sangue, capaz de afetar o desenvolvimento do cérebro. Nada mais natural do que testá-lo. E foi isso que fizeram.

Jerold Chun e equipe tinham um excelente candidato em mãos. Nada mais natural do que testá-lo. E foi isso que fizeram

Em vez de metade dos camundongos desenvolver hidrocefalia fetal – como no caso das injeções de plasma ou soro –, 100% dos animais apresentaram a doença após a injeção em seus ventrículos de uma solução contendo exclusivamente LPA.

Os autores também identificaram alterações histológicas semelhantes às observadas em pacientes com hidrocefalia, incluindo ventrículos dilatados e extravazamento de células para o interior dessas cavidades.

A presença anômala de aglomerados celulares foi detectada não somente nos ventrículos laterais, mas também no terceiro ventrículo. Essa heterotopia interfere na circulação do líquido cefalorraquidiano pelos ventrículos, contribuindo para o inchaço do crânio e outras características da doença.


Cortando relações

Os resultados da equipe da Califórnia indicam que a exposição a concentrações elevadas de LPA – como aquelas presentes no sangue – desestabiliza as junções que mantêm a integridade dos ventrículos, promove o deslocamento anormal de células para locais impróprios que, então, interrompem a circulação do líquido cefalorraquidiano, favorecendo o aumento de pressão intracraniana, crescimento anormal da caixa craniana etc.

Para confirmar essa hipótese, os autores se valeram de animais geneticamente modificados nos quais os genes que codificam os receptores de LPA foram eliminados. Quando esses animais foram expostos ao lipídeo, dessa vez nada aconteceu. Eles não apresentaram características da hidrocefalia fetal como anteriormente observado nos animais comuns.

O efeito do LPA na geração da doença nos camundongos observados era, portanto, dependente da ativação de seus receptores, presentes na membrana das células-tronco neurais que formariam o cérebro. Mas seria possível evitar a hidrocefalia nos animais comuns, que, assim como nós, apresentam os receptores para LPA em suas células neurais durante o desenvolvimento

Dados de estudo sobre hidrocefalia
Hidrocefalia pode ser bloqueada por um antagonista do receptor LPA1. (imagem: Science/ AAAS)

Uma forma de se testar essa hipótese é com a utilização de um antagonista farmacológico capaz de impedir a ação do LPA em seus receptores. Quando a turma do Scripps injetou essa substância – conhecida pela sigla Ki16425 – no cérebro dos camundongos um pouco antes da exposição ao LPA, os animais ficaram protegidos e não mais desenvolveram a hidrocefalia.

Esses dados sugerem que uma intervenção farmacológica pontual, capaz de bloquear a ativação de receptores para LPA no cérebro em desenvolvimento, é capaz de impedir os efeitos nocivos de uma eventual hemorragia intracraniana ainda no útero.

Trabalhei por quase seis anos buscando entender a importância do LPA para a formação do cérebro. É, portanto, uma enorme satisfação acompanhar a evolução das pesquisas na área, que agora apontam para estratégias terapêuticas com potencial de evitar a evolução de uma condição tão debilitante quanto a hidrocefalia fetal, com consequências graves para a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.